Cypress Hill retorna a Porto Alegre com show potente, coeso e para fãs de verdade
- Hiashine Florentino

- 20 de mar.
- 2 min de leitura
Por: Hiashine Florentino
Fotos por Indy Lopes
Depois de quase uma década longe da capital gaúcha, o Cypress Hill voltou a Porto Alegre e entregou exatamente o que se espera de um grupo que ajudou a moldar o hip-hop mundial: um show intenso, técnico e absolutamente conectado com seu público.
A última passagem pela cidade havia sido em 2018, e o reencontro, agora, teve clima de celebração. Não foi uma noite de multidões, mas também não precisava ser. Quem estava ali sabia exatamente onde estava: diante de um clássico vivo.
No palco, B-Real, Sen Dog, Eric Bobo e DJ Lord mostraram por que o Cypress Hill atravessa décadas sem soar datado. Mais do que nostalgia, o que se viu foi uma banda em plena forma afiada, segura e com uma presença de palco que dispensa esforço.
B-Real segue com sua assinatura vocal inconfundível, conduzindo o show com precisão, enquanto Sen Dog funciona como contraponto de energia e peso. Eric Bobo adiciona uma camada orgânica fundamental, trazendo percussões que expandem o som para além do hip-hop tradicional e reforçam a identidade latina do grupo. Já DJ Lord sustenta a base com scratches precisos e uma presença discreta, mas essencial, amarrando cada faixa com consistência.
A apresentação em Porto Alegre integra uma passagem recente do grupo pelo Brasil que também incluiu o Lollapalooza Brasil.
O repertório foi um desfile de clássicos. “Insane in the Brain”, “Hits from the Bong” e “Rock Superstar” transformaram a pista em um coro coletivo, com o público cantando cada verso como se fosse parte da própria construção daquelas músicas.
Em meio aos hits, o grupo ainda surpreendeu com covers de Beastie Boys e Rage Against the Machine, reforçando a ponte histórica entre rap e rock que o Cypress Hill sempre ajudou a consolidar.
O momento atual da banda também aponta para novos caminhos. Recentemente, o grupo lançou um trabalho com músicas em espanhol, aprofundando ainda mais a conexão com suas raízes latinas e expandindo seu alcance para além do público tradicional do hip-hop em inglês.
Se por um lado o público não lotou o espaço, por outro entregou algo mais raro: entrega total.
Cada música era acompanhada em uníssono, cada refrão devolvido com força. Era o tipo de plateia que não está ali por hype, mas por história.
E talvez esse seja o ponto central da noite. O Cypress Hill não precisa provar mais nada e justamente por isso soa tão confortável em cena.
O show em Porto Alegre não foi sobre grandiosidade, mas sobre consistência. No fim, ficou a sensação de que alguns encontros não precisam de multidões para serem memoráveis. Basta que sejam verdadeiros.







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